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| por Paul+Paula em Flickr |
Viemos girando do nada, espalhando estrelas como pó.
As estrelas puseram-se em círculo e nós no centro dançamos com elas.
Como a pedra do moinho, em torno de Deus gira a roda do céu.
Segura um raio dessa roda e terás a mão decepada.
Girando e girando essa roda dissolve todo e qualquer apego.
Não estivesse apaixonada, ela mesma gritaria basta!
Até quando há de seguir esse giro?
Cada átomo gira desnorteado, mendigos circulam entre as mesas,
cães rondam um pedaço de carne, o amante gira em torno do seu próprio coração.
Envergonhado ante tanta beleza giro ao redor da minha vergonha.
Ouve a música do sama.
Vem unir-te ao som dos tambores.
Aqui celebramos, somos todos dizendo: “Eu sou a Verdade.”
Em êxtase estamos.
Embriagados sim, mas de um vinho que não se colhe na videira;
O que quer que pensem de nós em nada parecerá com o que somos.
Giramos e giramos em êxtase.
Esta é a noite do sama.
Há luz agora.
Luz! Luz!
Eis o amor verdadeiro que diz a mente: adeus.
Este é o dia do adeus.
Adeus! Adeus!
Todo coração que arde nesta noite é amigo da música.
Ardendo por teus lábios meu coração transborda de minha boca.
Silêncio!
És feito de pensamento, afeto e paixão.
O que resta é nada além de carne e ossos.
Por que nos falam de templos de oração,
de atos piedosos?
Somos o caçador e a caça, outono e primavera, noite e dia.
O Visível e o Invisível.
Somos o tesouro do espírito.
Somos a alma do mundo, livres do peso que vergasta o corpo.
Prisioneiros não somos do tempo nem do espaço
nem mesmo da terra que pisamos.
No amor fomos gerados.
No amor nascemos.
{Rumi}
