bem-vindo


Porque se eu não compreender a vida, explica-me.
Porque se eu esquecer a ternura, lembre-me.
Porque Porque se eu não compreender a vida,explica-me.
Porque se eu esquecer a ternura,lembre-me.
Porque se eu me perder no caminho, mostra-me,
e se eu tiver pouco amor, salva-me com a poesia.
{Ita Portugal}
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sexta-feira, 15 de maio de 2015

tratado geral das grandezas do ínfimo

Encontrado em photographar.tumblr.com
A poesia está guardada nas palavras, é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as
insignificâncias do mundo e as nossas.
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.

{Manoel de Barros}

terra molhada

Encontrado em habitualbliss.tumblr.com
Tudo está preparado para a vinda das águas.
Tem uma festa secreta na alma dos seres.
O homem nos refolhos pressente o desabrochar.
Caem os primeiros pingos.
Perfume de terra molhada invade a fazenda.
O jardim está pensando 
em florescer.

{Manoel de Barros}

domingo, 3 de maio de 2015

os deslimites da palavra

Encontrado em browndresswithwhitedots.tumblr.com
Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas

{Manoel de Barros}

sábado, 18 de abril de 2015

o apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras fatigadas de informar.
Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.

Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios.

Amo os restos como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

{Manoel de Barros}

incompletude

A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.

{Manoel de Barros}

domingo, 12 de abril de 2015

ser árvore

Encontrado em ana-rosa.tumblr.com
Para entender, nós temos dois caminhos:
O da sensibilidade que é o entendimento do corpo;
E o da inteligência que é o entendimento do espírito.
Eu escrevo com o corpo.
Poesia não é para compreender,
mas para incorporar.
Entender é parede procure ser árvore.


{Manoel de Barros}

sábado, 28 de fevereiro de 2015

folhas

As folhas das árvores servem, para nos ensinar a cair sem alardes.

{Manoel de Barros}

borboletas

Meditei sobre as borboletas.
Vi que elas dominam o mais
leve sem precisar de motor 
nenhum no corpo. 
Essa engenharia de Deus.
E vi que elas podem pousar
nas flores e nas pedras 
sem magoar as próprias asas.

{Manoel de Barros}

importância das coisas

A importância de uma coisa não se mede com fita métrica,
nem com balanças nem barômetros.
A importância de uma coisa há
que ser medida pelo encantamento
que a coisa produza em nós.

{Manoel de Barros}