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| Encontrado em pedalfar.tumblr.com |
Tomavam guaraná e riam, os desavergonhados.
Ataquei-os por trás com mãos e palavras
que nunca suspeitei conhecer.
Voaram três dentes e gritei, esmurrei-os e gritei,
gritei meu urro, a torrente de impropérios.
Ajuntou gente, escureceu o sol, a poeira adensou como cortina.
Ele me pegava nos braços, nas pernas, na cintura,
sem me reter, peixe-piranha, bicho pior,fêmea-ofendida, uivava.
Gritei, gritei, gritei, até a cratera exaurir-se.
Quando não pude mais fiquei rígida, as mãos na garganta dele,
Voaram três dentes e gritei, esmurrei-os e gritei,
gritei meu urro, a torrente de impropérios.
Ajuntou gente, escureceu o sol, a poeira adensou como cortina.
Ele me pegava nos braços, nas pernas, na cintura,
sem me reter, peixe-piranha, bicho pior,fêmea-ofendida, uivava.
Gritei, gritei, gritei, até a cratera exaurir-se.
Quando não pude mais fiquei rígida, as mãos na garganta dele,
nós dois petrificados,eu sem tocar o chão.
Quando abri os olhos, as mulheres abriam alas,
me tocando, me pedindo graças.
Desde então faço milagres
{Adélia Prado}
Desde então faço milagres
{Adélia Prado}
